domingo, 22 de agosto de 2010

Estrelas do deserto

Esta receita é dedicada a todos aqueles que temem caír na tentação do açúcar e a todos aqueles para quem o açúcar deixou de ser um companheiro dos bons momentos  para passar a ser um perigoso predador, causador de muitas ídas à botica.

Apresento-vos um bolo delicioso, doce como qualquer outro, mas sem uma grama de açúcar. E sem edulcorantes... mas com Agave. O Agave é um xarope extraído de um cacto, muito utilizado no México, que não é mais que um adoçante natural, sem gordura e com um baixíssimo índice glicémico. Adoça muito eficazmente, sendo necessária uma pequena quantidade para atingir o mesmo efeito do comum açúcar. Parece mel mas não é, tem um doce menos intenso, uma cor mais límpida e uma consistência mais flúida. Pode adquirir-se nas lojas de produtos naturais (eu comprei no Celeiro, passo a publicidade).



BOLO DE MAÇÃ
COM AGAVE



Ingredientes

5 ovos
3 colheres de sopa de óleo
1/2 chávena de chá de xarope de Agave
1 e 1/2 chávenas de chá de farinha
1/2 chávena de chá de amido de milho
1 colher de sobremesa de fermento em pó
1 colher de chá de canela em pó
1 pitada de sal
3 maçãs 

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Bater os ovos durante 5 minutos na velocidade máxima. Adicionar o óleo e o xarope de Agave sem parar de bater. Juntar as farinhas, o fermento, a canela e o sal e envolver na massa até conseguir uma mistura homogénea.
Verter numa forma untada e enfarinhada.
Descascar e descaroçar as maçãs. Cortar em rodelas ou gomos (eu usei um cortador de massa com a forma de estrela) e dispor a maçã sobre a massa do bolo.
Levar ao forno durante 25 ou 30 minutos.

Desenformar depois de frio e regar com um pouco de xarope de Agave.




E estas estrelas, com cheiro de deserto, caem do céu e trazem desejos satisfeitos para todos os que sonham e acreditam. 



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A lembrar o Sul

À medida que a lista de coisas para fazer aumenta, o melhor é deitar as mãos ao trabalho e deixar de procrastinar como de costume. Com esta determinação, digna de resolução de Ano Novo, abro as minhas pastas de receitas guardadas no "Notepad" do PC (devo ser a última utilizadora do Notepad...) e prescruto em busca da melhor para a ocasião. 

Aproveito  o facto de ainda ter farinha de alfarroba que me baste para o resto da vida e de ter adquirido um belo boião de doce de figo na semana passada, e sigo para a cozinha, o meu santuário... 

Tem de haver gostos para tudo...

TORTA DE ALFARROBA

COM DOCE DE FIGO




Torta

160 g de farinha
50 g de farinha de alfarroba
190 g de açúcar
1 colher de chá de fermento em pó
6 ovos
1/2 chávena de chá de óleo
1 boião de doce de figo de boa qualidade




Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Num recipiente, juntar os ovos com o açúcar e bater bem. Adicionar as farinhas e o fermento e bater até conseguir uma mistura homogénea. Juntar o óleo e mexer bem.
Forrar uma forma rectangular com cerca de 30 x 25 cm com papel vegetal e verter a mistura.
Levar ao forno durante cerca de 15 minutos. Retirar do forno e deixar arrefecer um pouco de modo a poder manipular o bolo.
Humedecer um pano de cozinha e torcer bem. Espalhar sobre a bancada e polvilhar com açúcar. Colocar o bolo sobre o pano e espalhar o doce de figo sobre a superficie do bolo. Com a ajuda do pano, começar a enrolar a torta mantendo-a sob alguma pressão. É natural que a torta se parta ao enrolar...
Manter a torta envolta no pano húmido e colocar no frigorifico durante cerca de 30 minutos.
Desenrolar para o prato de torta e decorar a gosto. Eu utilizei doce de ovos (meia receita) e amêndoa lâminada.



"As três coisas mais difíceis do mundo: 
guardar um segredo
perdoar uma ofensa
e aproveitar o tempo."
Benjamin Franklin


domingo, 8 de agosto de 2010

Camadas de colheres

Foi há dias, ao ver o programa da Mafalda Pinto Leite (sempre com ideias dignas de registo), que me ficou a vontade de experimentar esta receita. A chef despachou um almoço para as amigas num piscar de olhos e fiquei com as receitas na memória, à espera da oportunidade certa. Ora, e quando a oportunidade não surge por si, lá temos nós de dar uma mãozinha...

Embora não seja adepta dos doces de colher, a verdade é que os últimos que confeccionei me têm ajudado a mudar de ideias. Longa vida à colher!

Esta receita não é exactamente a que a Mafalda Leite apresentou mas é a que a Mafalda Cardoso reteve e adaptou.


TRIFLE DE PÊSSEGO E 

FRUTOS SILVESTRES




Ingredientes

1 Pão de ló (usei de compra)
500 g de morangos
100 g de groselhas
100 g de mirtilos
100 g de amoras
1 pêssego
200 ml de natas (1 embalagem)
300 ml de queijo mascarpone (1 embalagem)
500 ml de leite
2 e 1/2 colheres de sopa de farinha Custard
13 colheres de sopa de açúcar
1 pau de canela
1 casca de limão
1 colher de sobremesa de essência de baunilha
Sumo de uma laranja
Amêndoas laminadas


Creme Custard

Dissolve-se a farinha Custard numa parte do leite e adiciona-se o restante leite, o pau de canela, a casca do limão e três colheres de sopa de açúcar. Numa caçarola, leva-se a lume médio até engrossar. Retira-se o pau de canela e a casca do limão. A receita original não inclui natas mas eu adicionei 100 ml de natas batidas para que o creme não ficasse com o aroma tão intenso a baunilha.



Creme de Mascarpone

Batem-se 100 ml de natas e, sem parar de bater, adiciona-se o queijo mascarpone, cinco colheres de sopa de açúcar e a essência de baunilha. Reserva-se.


Molho de Morangos

Lavam-se os morandos e cortam-se cerca de 250 g para uma caçarola. Polvilham-se com cinco colheres de açúcar e deixam-se maçerar em lume brando. Quando estiverem moles, trituram-se de modo a formar um molho espesso.



Montagem

Cortam-se fatias de pão-de-ló e espalham-se no fundo de uma taça de servir. Cobre-se com metade do molho de morangos. Espalha-se metade do creme de Mascarpone e, por cima, dispõem-se morangos cortados, alguns mirtilos, amoras e groselhas. Sobre os frutos dispõe-se nova camada de pão-de-ló, desta vez regado com o sumo de uma laranja. Espalha-se o creme Custard sobre o pão-de-ló e, sobre esta camada, dispõe-se o pêssego cortado em fatias finas. Sobre o pêssego, coloca-se nova camada de pão-de-ló, molho de morangos e o restante creme de Mascarpone. Decora-se com os restantes frutos vermelhos e, se apreciar, amêndoa laminada torrada.

Fica divinal!

Esta sobremesa serve-se fresca. Pode fazê-la de véspera que ainda fica melhor pois o pão-de-ló tem tempo para absorver todo o sabor da fruta. No entanto, guarde a decoração para o momento de servir.

Bons doces!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Albiscoitos

A alfarroba é um daqueles frutos (ou sementes) cuja aparencia nos deixa um pouco duvidosos, até um tudo ou nada hesitantes quanto à sua utilidade culinária, sobretudo para a raça humana. Pois é! Mas a alfarroba não é senão uma boa surpresa, um aroma forte e um sabor subtil mas inesquecivel. Nada disto é novidade para o pessoal do Algarve, onde se fazem sobremesas deliciosas com este ingrediente. E foi lá que fui buscar a minha farinha de alfarroba.


BISCOITOS DE ALFARROBA



Ingredientes (20 unidades)

1 e 1/2 chávenas de chá de farinha com fermento
1/2 chávena de chá de farinha de alfarroba
1/2 chávena de chá de açúcar amarelo
1/2 colher de chá de sal
1 ovo
1/2 chávena de chá de azeite
1 colher de chá de essência de baunilha
3 colheres de sopa de leite
1 colher de chá de canela em pó
Raspa e sumo de meio limão

Pré-aquecer o forno a 200ºC.
Misturar os ingredientes todos e, com as mãos enfarinhadas, formar os biscoitos. Pode dar-lhes a forma que preferir.
Dispor os biscoitos sobre um tabuleiro forrado com papel vegetal e, se gostar, colocar uma noz ou uma amêndoa sobre o biscoito. Levar ao forno durante 15 minutos. 
Retirar e deixar arrefecer.





quinta-feira, 29 de julho de 2010

Um lugar à sombra

Nestes dias de calor, a alma abandona-nos e parte em busca de refugio no frigorífico lá de casa, imersa num copo de chá gelado, a fazer inveja ao corpo que ficou para tráz e se arrasta com a lassidão dos condenados ao deserto. O oásis lá ao fundo...

Que bom chegar a casa a meio da tarde, termómetros no máximo, encher o copo com gelo e chá e recuperar a alma. O primeiro copo é sem saborear, o segundo bebe-se com calma e suspiros. Neste caso, com muffins...


MUFFINS DE ABOBORA,

SEMENTES DE PAPOILA

E GLACÊ DE LARANJA

E

CHÁ GELADO DE PÊSSEGO


Muffins (12 unidades)
1 chávena de chá de puré de abóbora (cozida e reduzida a puré) 
1/2 chávena + 2 colheres de sopa de natas
1 ovo
1 e 1/3 chávenas de chá de farinha
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de bicarbonato de sódio
2/3 chávena de chá de açúcar
1/2 colher de chá de canela
3 colheres de sopa de manteiga derretida
2 colheres de sopa de sementes de papoila

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Cozer a abóbora sem casca e reduzir a puré (retirando primeiro todo o excesso de água). Adicionar ao puré, as natas e o ovo, mexendo bem.
À parte, misturar a farinha, o açúcar, o fermento, o bicarbonato, a canela e as sementes de papoila. Verter a mistura líquida sobre as farinhas, mexendo bem. Adicionar a manteiga derretida. Mexer até conseguir uma mistura homogénea.
Colocar as forminhas de papel pelissado dentro de formas de queques (para não deformarem com a consistência da massa) ou untar as formas de metal com manteiga e farinha. 
Verter a massa até 2/3 da capacidade das formas.
Levar ao forno durante cerca de 25 minutos.
Deixar arrefecer fora do forno.

Glacê de laranja
1 colher de sopa rasa de manteiga
Sumo de uma laranja
4-5 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro

Misturar os ingredientes e levar ao micro-ondas, na potência média (650W), durante 1 minuto. Com uma colher, ligar os ingredientes e verter sobre os muffins já frios. Deixar arrefecer e secar.

CICLO DE VIDA DO MUFFIN 


Chá gelado de pêssego

1/3 chávena de chá (usei Darjeeling em folhas)
1 limão
1 bocado de gengibre (aproximadamente uma colher de sopa)
750 ml de água
Gelo (o equivalente a 8 copos de cubos de gelo)
2 pêssegos
1/2 chávena de açúcar

Colocam-se as folhas de chá, o limão cortado em rodelas e o gengibre sem casca e esmagado, num jarro que tolere temperaturas altas.
Verte-se a água a ferver dentro do jarro e deixa-se repousar durante cerca de 7 minutos.
Coa-se o chá para retirar as folhas e adiciona-se metade do gelo, misturando. Na liquidificadora, processam-se os pêssegos cortados aos pedaços e o açúcar. Coa-se esta mistura e adiciona-se ao chá.
Pode juntar-se limão às rodelas, pêssego aos pedaços e o restante gelo.



E o destino deste lanche é óbvio...









domingo, 25 de julho de 2010

Tudo o que nos basta

Há alturas em que nada nos é suficiente. O dinheiro não é suficiente, o trabalho não nos satisfaz o suficiente, o tempo nunca é suficiente, a paciência fica aquém da suficiente... enfim... é uma insatisfação melancólica que nos consome silenciosamente.

Há então, alturas em que devemos parar. Parar para olhar, parar para inspirar, para ouvir, sentir e para pensar.
E é então que reconhecemos o milagre. Olhamos em volta e vemos todos os que dão razão à nossa vida, inspiramos o mesmo ar, ouvimos as suas canções, sentimos a força que nos empurra e pensamos: afinal tenho tanto, não o tenho é apreciado o suficiente...

E já que estamos a apreciar, porque não pecar mais um pouco? Para a companhia certa, o acompanhamento certo...

BOLO DE AMÊNDOA COM 

DOCE DE OVOS



Bolo

1 chávena de chá de farinha
1/2 chávena de chá de amêndoa ralada
1 e 1/2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
3 ovos
3/4 de chávena de chá de açúcar
1/2 chávena de óleo
1 colher de chá de essência de baunilha
1/2 chávena de chá de sumo de laranja
Raspa de um limão

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Numa taça, juntar a farinha, a amêndoa, o fermento e o bicarbonato e envolver tudo.
Numa outra taça, juntar os ovos com o açúcar e bater bem, de seguida, adicionar o óleo, a essência de baunilha, o sumo de laranja e a raspa de limão e mexer bem. Juntar os ingredientes secos e mexer até conseguir uma mistura homogénea.
Forrar uma forma com papel vegetal e verter a mistura. Levar ao forno durante cerca de 30 minutos.
Deixar arrefecer antes de desenformar.




Doce de ovos

6 gemas
2 ovos
375 g de açúcar
150 ml de água

Numa caçarola, juntar o açúcar e a água. Levar ao lume até atingir o ponto de pérola. (A calda forma fios frágeis com bolas na ponta, quando escorre de uma escumadeira).
À parte, misturam-se as gemas e os ovos. Adiciona-se a calda de açúcar aos poucos, uma colher de cada vez, mexendo sempre. Uma vez adicionada toda a calda, verte-se a mistura na caçarola e coloca-se em lume brando até engrossar. Deve mexer-se sempre, evitando que a mistura ferva ou adira às paredes da caçarola.


Montagem

Corta-se o bolo ao meio.
Espreme-se o sumo de um limão e junta-se água e açúcar, de modo a fazer uma calda com a qual se regam as metades do bolo.
Recheia-se o bolo com metade do doce de ovos e utiliza-se a outra metade como cobertura.
Decora-se a gosto. Eu utilizei amêndoa lâminada, torrada durante 5 minutos a 180ºC. Polvilhei com açúcar de confeiteiro.




segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sem palavras

Andava para fazer um soufflé há uma série de tempo. Vasculhei tudo o que era receita, truques e dicas para conseguir o souflé perfeito e... finalmente, hoje decidi-me.
O resultado é dificil de descrever. Primeiro ficaram lindos e tive um acesso de vaidade, depois foi a correria para tirar uma fotografia a tempo, que fizesse justiça à pequena maravilha que tinha diante de mim e, por fim, quando se abateu a gloriosa beleza e se juntou o paladar aos restantes sentidos... hum... não há palavras.
Há quem seja pelo chocolate, outros há que são pelo pão-de-ló, outros ainda pelos doces conventuais... Pois é, levou algum tempo, mas acho que sou pelo soufflé!


SOUFFLÉ DE BAUNILHA

















Ingredientes (6 unidades)

50 g de manteiga
250 ml de leite
30 g de farinha
4 ovos
80 g de açúcar
1/2 colher de sobremesa de essência de baunilha

Pré-aquecer o forno a 190ºC.
Numa caçarola colocar o leite, a farinha e a manteiga e levar a lume brando, mexendo sempre. Quando engrossar o creme, adicionar a essência de baunilha e duas colheres de sopa do açúcar. Mexer bem até dissolver o açúcar. Retirar do lume.
Juntam-se as gemas, uma a uma, coadas para retirar a película envolvente da gema.
Batem-se as claras em castelo firme e adiciona-se o restante açúcar, batendo novamente. Envolvem-se as claras na mistura anterior.
Untam-se os ramekins (tacinhas cerâmicas circulares próprias para soufflé) com manteiga e polvilham-se com açúcar. Verte-se a mistura nas taças até ficarem cheias e limpam-se os bordos das taças, para que o crescimento do soufflé seja uniforme.
Vão ao forno durante 15 minutos. Servem-se imediatamente e polvilhados com açúcar de confeiteiro ou com outra cobertura a gosto.



Assim que sai do forno, o soufflé faz justiça ao seu nome. Soufflé é uma conjugação do verbo em francês souffler ou inchar, explodir. Mas depressa se extingue a explosão ficando um aroma e um sabor que deixam saudades.







E acaba cedo demais...

"Nada há sublime que não seja breve"

 
Ramón Campoamor y Campoosorio